Aqui vamos nós: o Marseille volta do KNVB Sportcentrum com um empate 1-1 diante do Olympic Charleroi, quarto colocado da National 1 belga, e esse resultado confirma que a obra de Roberto De Zerbi ainda está em andamento a um mês do recomeço. Os provençais conseguiram retomar o controle após ter ido atrás do marcador, mas o empate não oculta um déficit de controle frente a um adversário supostamente inferior.
Darko Janacković escalou um onze sem um esquema oficialmente comunicado, construĂdo em torno de Rayan Ferber no ataque e Donis Vitasek no gol. Do outro lado, De Zerbi, tambĂ©m sem uma formação listada, misturava juventude e veteranos com Amine Harit como criador e Geoffrey Kondogbia atuando no duplo pivĂ´ ao lado do jovem Bakola. A comissĂŁo tĂ©cnica queria um teste de posse, mas viu principalmente sua equipe sofrer nas transições carolinas.
Charleroi abriu o placar já aos 23 minutos. Ferber concluiu uma das primeiras acelerações belgas, recompensando uma pressão inteligentemente realizada em um despejo curto do Marseille. O Marseille não encontrava ritmo, os recuos de Neal Maupay careciam de apoio e Rayan Ion cortava sistematicamente os ângulos de passe em direção a Harit.
A Ăşnica resposta marcelhesa antes do intervalo foi um aumento na agressividade que custou um cartĂŁo amarelo a Balthazar Nadir aos 43 minutos por uma intervenção tardia, sinal de uma frustração crescente. A comissĂŁo tĂ©cnica teve que elevar a voz no vestiário, mas o equilĂbrio ainda nĂŁo estava presente na volta ao campo.
O ponto de virada pareceu selar o destino do jogo: aos 52 minutos, Manuel Murillo recebeu um cartão vermelho direto por um tackle tardio. De Zerbi imediatamente mudou para um bloco médio, com Kondogbia recuando um pouco para cobrir as laterais, enquanto Pau Lirola e Egan-Riley se apertavam. Apesar da inferioridade numérica, o Marseille começou a jogar de forma mais simples, buscando profundidade atrás de um bloco carolino que recuava.
Ao chegar à hora de jogo, Mason Greenwood mudou a dinâmica. Sua entrada trouxe mobilidade ao ataque, e ele foi quem empatou aos 70 minutos, aproveitando uma sequência prolongada na área adversária. Sem uma assistência registrada, o mais importante foi sua presença na zona de finalização e a autoridade de seu gesto, valioso para um jogador ainda buscando referências após uma temporada complicada.
Charleroi segurou a pressĂŁo, graças ao trabalho de Labe Florica na ala esquerda e Ă serenidade de Husein Jahic no eixo. Os belgas souberam administrar os momentos difĂceis, alternando entre pressĂŁo intermitente e posse de bola para fazer o Marseille correr com dez jogadores. De Zerbi ainda destaca a abnegação de Kondogbia, encarregado de cobrir as brechas e orientar cada saĂda de bola no chĂŁo apesar da inferioridade numĂ©rica.
EstatĂsticas principais:
- Gols: R. Ferber 23’, M. Greenwood 70’
- Cartões: B. Nadir (amarelo, 43’), M. Murillo (vermelho, 52’)
Esse empate reabre o debate interno sobre a hierarquia defensiva marcelhesa, especialmente porque Murillo pode ver seu tempo de jogo pausado após essa expulsão. Programado para voltar ao Orange Vélodrome na próxima semana, o grupo de De Zerbi terá que mostrar mais contra um adversário da Ligue 2 para chegar à Ligue 1 com garantias. Para Charleroi, esse empate alimenta a confiança antes dos ajustes finais da National 1: Janacković tem um bloco pronto para surpreender.







