Everton e Manchester City transformaram muitos encontros no final da temporada em peças morais sobre poder e resistência, e na noite de segunda-feira, no Hill Dickinson Stadium, esse antigo roteiro foi revivido. O City chegou a cinco pontos do Arsenal, sabendo que sua margem de erro já tinha sido reduzida. David Moyes, de volta ao azul royal e extraindo uma pegada mais resistente do Everton, buscava uma declaração para confirmar a ascensão de sua equipe da angústia do rebaixamento para a parte de cima da tabela. Ao final do tempo regulamentar, um empate de 3-3 parecia um capítulo emprestado dos anos 1990, todo sangue, trovão e um toque de crueldade.
O City passou o primeiro tempo tratando a posse como uma herança de família, Matheus Nunes se adiantando da lateral direita para ajudar Bernardo Silva e Nico O'Reilly a ditar o ritmo. O Everton se posicionou em seu 4-2-3-1, com Tim Iroegbunam vigiando as linhas centrais enquanto Iliman Ndiaye realizava os solitários contra-ataques. Mesmo assim, foi necessária uma aparição relâmpago de Jérémy Doku no 43º minuto, assistido por Rayan Cherki, para quebrar a paridade. O trio defensivo do Everton, James Tarkowski, Michael Keane e o impressionante Jake O’Brien, tinha conseguido se segurar até então. Os cartões amarelos para Keane no 45º minuto, Beto no 48º minuto e Tarkowski no 53º minuto contaram a história da pressão.
O que mais Doku poderia ter feito em Merseyside? Talvez parar de comemorar. Porque o segundo tempo mudou em quatro impressionantes minutos do Everton. Moyes jogou suas fichas no 64º minuto, retirando o amarelado Beto em favor de Thierno Barry. A mudança deu ao Everton um corredor para esticar Marc Guéhi e Abdukodir Khusanov. Barry empatou no 68º minuto, aproveitando uma rara falha do City. De repente, a crença pulsou nas arquibancadas. No 73º minuto, James Garner encontrou O’Brien, e o finalizador central virou a partida. Gianluigi Donnarumma, já incomodado ao ser amarelado no 74º minuto por reclamar, só pôde assistir Barry marcar novamente no 81º minuto, depois que o Everton se lançou sobre uma segunda fase.
Pep Guardiola já tinha colocado Phil Foden em campo no 74º minuto, mas foi Mateo Kovačić, que entrou um minuto depois por Nico González, quem restaurou a serenidade do City. Seu passe no 83º minuto deixou Erling Haaland livre, diminuindo a desvantagem. O cartão de Jake O’Brien no 86º minuto sublinhou a nervosismo do Everton enquanto o City pressionava. Quando Bernardo Silva deu lugar a Omar Marmoush no 87º minuto, os visitantes foram com tudo. Guéhi apareceu no 90º minuto para alimentar Doku, cujo segundo gol salvou um ponto e silenciou os eufóricos locais. O furor no banco do Everton nos minutos de acréscimo, com Nathan Patterson e Carlos Alcaraz entrando no 90+2º minuto e Harrison Armstrong no 90+6º minuto, veio tarde demais para mudar o rumo.
Ambos os técnicos mantiveram um 4-2-3-1, mas as formas eram mundos à parte. O sistema do Everton se virou em um bloqueio de cinco homens sempre que Vitalii Mykolenko recuava, deixando Iroegbunam e Garner perseguirem sombras. Sua recompensa estava na transição: o trabalho de bola de Ndiaye ganhou-lhes segundos, e a calma de Garner criou o gol para O’Brien. O cameo de Barry foi a dobradiça do jogo, permitindo que o Everton pressionasse Guéhi e forçasse o City a recuar. Para o City, o papel invertido de Nunes e o deslocamento de Cherki criaram sobrecargas, mas as intervenções decisivas vieram do banco. Kovačić alterou o ritmo, apoiando-se naquela cultura futebolística que associamos ao projeto de longo prazo de Guardiola, e a persistência de Doku manteve o sonho do campeão vivo.
Os números do City brilham, mas os dados brutos sugerem o pragmatismo do Everton. A equipe da casa construiu 2,77 gols esperados com apenas 25 por cento da posse, um tributo à sua cadência direta. Os 1,37 gols esperados do City revelam o quanto dependeram da habilidade de Doku em vez de uma incisividade coletiva. As nove tentativas de drible de Cherki e os duelos amarrados de Haaland importaram menos do que o tempo das substituições de Moyes e a resiliência que começou a definir a trajetória do Everton sob o escocês.
Estatísticas
- Chutes a gol: Everton 6, Manchester City 4
- Total de chutes: Everton 14, Manchester City 20
- Posse: Everton 25 por cento, Manchester City 75 por cento
- Gols esperados: Everton 2,77, Manchester City 1,37
- Escanteios: Everton 5, Manchester City 9
- Passes completos: Everton 138 de 200, Manchester City 551 de 610
Para o Arsenal, assistindo do topo, o gol de empate tardio de Doku deve ter parecido uma salvação que mantém a corrida pelo título na corda bamba. O City permanece cinco pontos atrás, mantendo um jogo a menos e buscando momentum antes do próximo final de semana e das crescentes obrigações europeias que dominarão as manchetes, não menos em peças como Aggregate at boiling point. O Everton, por sua vez, sobe para 48 pontos com evidências de que o plano de Moyes pode lidar com a elite da liga. Se o impacto de Barry se tornar um tema recorrente, os merseysiders poderão passar as últimas semanas olhando para cima na tabela, em vez de para trás. A reta final desta temporada da Premier League tem sua narrativa, e o Everton insistiu em um lugar nela.







